Amar ela seria o objetivo? Obviamente não, mas quando a olhou percebeu que algo mudou, gostara daquela fisionomia pura, que ela transmitia. Que transbordava nos sorrisos dela, gargalhadas sem preocupações, vida perfeita. Seria correspondido? Conversaram pela primeira vez num ginásio de…

Tenho pensado na morte com uma curiosa afinidade e paixão. O passar das longas horas perdida numa eternidade inconstante, nos arrependimentos, que por certo não sumiram da minha alma, mesmo depois do cheiro fúnebre dominar minha carne. Afirmo que nada mais me assusta nesse conceito fraco de morte poética, afoguei-me tanto, matei-me de diversas formas, que saborear mais uma morte seria, até então, um desperdício desnecessário. Acredito, pois tenho certa certeza, que andei morrendo a cada suspirar, contraditório, eu sei, mas não impossível. Respiro vida, mas almejo partida, assim sem pretensão alguma de retorno, sem bilhete de despedida. Odeio dar adeus quando já parti há muito e muito tempo atrás, quando sorria e ninguém sentia as minhas lágrimas por dentro. Tenho sorte de ser um morto que ainda respira, afinal, a perca das esperanças em amores futuros torna-se uma comédia inevitável, daquelas bem formuladas e escritas por Shakespeare (bom homem). Eu passei a acreditar nessa vida pela metade, sendo apenas fantoche das passadas ambições que não consegui canalizar, de certo, posso ser considerado um ser de coragem duvidosa por simplesmente não consegui arrancar de mim aquilo que ainda me mantém em pé, um ser humano ainda com vida, mesmo que mínima.
Todavia, meus caros, como arrancar de mim a parte que me tornou defunto e ao mesmo tempo vivo? Não sou um ser bendito de alma desprovida de não virtudes, pois das mesmas tenho várias, até as curiosas incertezas e dúvidas que me elevam ao patamar de mistérios desconhecidos e criações de supostos outros universos, onde irei descarregar meus medos e frustações logo após fazer a tão temida – ou esperada – passagem, o que vier primeiro.
Invalido meu coração em quatro pontos de princípio. Rego minhas claraboias de solidão com constantes gotas de saudade – vinho de marginal, poesia dessa que encontramos na rua, em qualquer esquina, escondida entre as faixas amarelas de sinalização, um stop em minha vida, uma atenção em meus erros de amor -. Tudo se mantém da mesma forma, como móveis coloniais que não se movimentam, e por aí ficaram, acumulando poeira sobre suas delicadas belezas, tudo assim tão simplório, como o vento que mapeia meu sorriso todas as manhãs que luto para continuar dormindo, um sonho que não acaba, uma fantasia que se prolonga ao caminhar das horas. Nada tão igual as dores do início, do prelúdio do fim, meu prólogo perfeito: dores, trejeitos, formas, você e meu amor estranho demais.
Deveria ser apenas uma morte, não um funeral sem fim.

E mesmo você pisando em meu coração como se eu fosse mais um de seus brinquedinhos, eu ainda te amo. E pode apostar que te amo de um jeito que nenhum ser humano foi capaz e nunca será.
Olho-me e vejo o quanto sou tola. Mesmo depois das discussões eu voltava correndo pros seus braços pedindo perdão por erros que eu não havia cometido, por palavras que eu não havia dito. E quando você me chamava corria como uma boba, eu sei que você só lembrava-se de mim nas horas em que todos te deixavam, ou depois de alguma decepção.
Sei que nunca sentiu nada por mim, além da amizade que construímos. E seus olhos brilhavam, mas não por mim, nunca por mim. Você me abraçava, fazia-me carinho, beijava-me, me tratava como seu amor. E depois de um tempo eu percebi que era tudo ilusão, o amor que eu achava que sentias por mim era mentira.
Deixei-te por um bom tempo, pensando em me livrar desse terrível amor, também pensei que você sofreria. Quanto voltei vi que nem se lembrava de mim. Mas sempre que pediu pra voltar eu te aceitei achando que talvez um dia se apaixonasse por mim.
Eu continuo aqui, esperando você me chamar e me usar assim como fez das outras vezes. Eu só vivo por isso, por um grito seu chamando meu nome no meio da noite, só vivo das esperanças de que um dia eu seja a dona do seu sorriso.
O estranho é que mesmo que eu estivesse machucada, aos pedaços (assim como estou agora), eu voltaria correndo para os seus braços quando você me chamasse, acreditaria em todos os seus “te amo” falsos e todos seus gestos. Mas apesar da dor ser grande, o amor que sinto por ti é maior.
Cheguei em casa com os nervos saltando a pele, me lembrando das palavras horrorosas do Doutor que disse que eu não quero me curar.
Entrei na recepção do consultório vinte e cinco minutos antes da hora da consulta, e quando finalmente pude entrar, eu esperava respostas. Ou…




